quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Pau Preto: a versatilidade de chuteiras.

Se a versatilidade usasse chuteiras, certamente, o seu nome seria "Pau Preto", apelido de infância de Fernando Marvão de Moraes, ponta e médio que em sua carreira de 16 anos só vestiu uma camisa: a listrada da Travessa Curuzú, pela qual marcou época e encantou pela frieza e futebol sóbrio que lhe renderam 7 títulos estaduais.

Primeiro, em uma das maiores linhas médias da história do Paysandu (Pau Preto, Natividade e Caim), foi bicampeão estadual em 1956 e 1957, marcando um total de 3 gols nas duas campanhas, jogando como médio-volante.

Em 14 de abril de 1957, esteve no time bicolor que goleou o Cerro Porteño do Paraguai por 3x0, no Souza, com gols de Natividade, Luciano e Gilvandro.

Depois, em 1959, já sem Natividade, mas ainda ao lado de Caim na meiuca, foi campeão paraense de profissionais em 1959, título marcado pela cabeçada história de Toni que, no apagar das luzes, decidiu o certame para os bicolores.

     Pau Preto com a Faixa de Campeão Paraense de 1959 (Fonte: Paysandu 90 anos de História - Ferreira da Costa) 

Foi ainda tricampeão em 1961, 1962 e 1963 e campeão em 1965, em sua temporada de despedida, na qual também foi peça importante, agora jogando na linha de ataque, na goleada do Paysandu sobre o Peñarol de Spencer, Forlan e Mazurkiewicz, naquela tarde mística de 18 de julho de 1965. Pau Preto fez o gol que fechou o caixão dos Carboneros do Peñarol, dando números finais a uma vitória tão eterna quanto musical ("Ate o Peñarol veio aqui para padecer", já diria a Marchinha).

Descrição do gol marcado por Pau Preto na goleada bicolor sobre o Peñarol em Julho de 1965. (Fonte: Jornal O Liberal 19.07.1965) 


Manchete sobre o gol de Pau Preto diante do Peñarol (Fonte: Jornal O Liberal 19.07.1965)


Ao todo, Pau Preto, mesmo alternando entre as linhas de meio e ataque, marcou 58 gols com a camisa bicolor, 12 deles no clássico RExPA, sendo um dos 30 maiores artilheiros da história do bicolor paraense.

Pelo visto, além de versátil, o garoto que incorporou sua cor no apelido de infância, era também longevo e vencedor.

E dos grandes.  


Fontes: Papão, 90 anos de Paixão e Glórias -  Ferreira da Costa. Jornal O Liberal (19.07.1965) 

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Meu nome é Bené: o MAIOR ARTILHEIRO DO PAYSANDU!




Vitorioso ou, devo dizer, matador?

O simples fato de este paulista de Amparo ter marcado 249 gols, em oito temporadas - sagrando-se o maior goleador do Paysandu - já faz de Benedito Pinho Leme, o Bené, um nome absolutamente intocável na lista de maiores jogadores da história do Clube de Suíço.

Ao lado de Robilotta, formou a dupla de ataque mais letal do futebol regional , em uma mescla de habilidade e oportunismo puro. Bené, o Tanque da Curuzú, era um centroavante rompedor e uma máquina de moer zagueiros.

No comando de ataque bicolor, levantou cinco títulos estaduais (1966, 1967, 1969, 1971 e 1972), sagrando-se artilheiro em duas das cinco conquistas, anotando 13 gols em 1969 e 20 gols em 1971.

E por falar em 1971, foi de Bené o gol de empate bicolor na lendária final do vira-vira, que forçou a prorrogação e abriu caminho para que Moreira, em uma cabeçada monumental, mudasse de mãos a coroa de campeão (De Antônio Baena para a Curuzú). Em 1972, contribuiu com oito tentos na conquista do título, sendo o vice-artilheiro do Paysandu, atrás apenas de Moreira, seu parceiro de ataque, com 12 gols.

Foi dele também o gol que deu ao Paysandu a vitória pela contagem mínima (1x0) sobre a Romênia em 1968, que viria a disputar o Mundial de 1970 no México.

Em clássicos, e não poderia ser diferente, Bené foi protagonista, totalizando 26 gols na história dos RExPA's e o posto de quarto maior artilheiro da história do derby.

Se o nome Benedito significa mesmo "abençoado", ao Benedito da Curuzú acrescenta-se "lendário".

Como seus gols.



Fonte: Papão, 90 anos de Paixão e Glórias - Ferreira da Costa. Os Gigantes do Futebol Paraense - Ferreira da Costa.