Se a versatilidade usasse chuteiras, certamente, o seu nome seria "Pau Preto", apelido de infância de Fernando Marvão de Moraes, ponta e médio que em sua carreira de 16 anos só vestiu uma camisa: a listrada da Travessa Curuzú, pela qual marcou época e encantou pela frieza e futebol sóbrio que lhe renderam 7 títulos estaduais.
Primeiro, em uma das maiores linhas médias da história do Paysandu (Pau Preto, Natividade e Caim), foi bicampeão estadual em 1956 e 1957, marcando um total de 3 gols nas duas campanhas, jogando como médio-volante.
Em 14 de abril de 1957, esteve no time bicolor que goleou o Cerro Porteño do Paraguai por 3x0, no Souza, com gols de Natividade, Luciano e Gilvandro.
Depois, em 1959, já sem Natividade, mas ainda ao lado de Caim na meiuca, foi campeão paraense de profissionais em 1959, título marcado pela cabeçada história de Toni que, no apagar das luzes, decidiu o certame para os bicolores.
Pau Preto com a Faixa de Campeão Paraense de 1959 (Fonte: Paysandu 90 anos de História - Ferreira da Costa)
Foi ainda tricampeão em 1961, 1962 e 1963 e campeão em 1965, em sua temporada de despedida, na qual também foi peça importante, agora jogando na linha de ataque, na goleada do Paysandu sobre o Peñarol de Spencer, Forlan e Mazurkiewicz, naquela tarde mística de 18 de julho de 1965. Pau Preto fez o gol que fechou o caixão dos Carboneros do Peñarol, dando números finais a uma vitória tão eterna quanto musical ("Ate o Peñarol veio aqui para padecer", já diria a Marchinha).
Descrição do gol marcado por Pau Preto na goleada bicolor sobre o Peñarol em Julho de 1965. (Fonte: Jornal O Liberal 19.07.1965)
Manchete sobre o gol de Pau Preto diante do Peñarol (Fonte: Jornal O Liberal 19.07.1965)
Ao todo, Pau Preto, mesmo alternando entre as linhas de meio e ataque, marcou 58 gols com a camisa bicolor, 12 deles no clássico RExPA, sendo um dos 30 maiores artilheiros da história do bicolor paraense.
Pelo visto, além de versátil, o garoto que incorporou sua cor no apelido de infância, era também longevo e vencedor.
E dos grandes.
Fontes: Papão, 90 anos de Paixão e Glórias - Ferreira da Costa. Jornal O Liberal (19.07.1965)
