segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Maratona Manoel Pedro: a maior da história bicolor.




Saiba que a maratona de jogos 5 jogos em um intervalo de 15 dias que o Paysandu terá que enfrentar entre Copa Verde e Campeonato Estadual, nem de longe é um fato inédito na história do clube. 

A expulsão de um dos craques mais longevos do futebol bicolor diante da Tuna, pelo Paraense de 1948, daria vida ao que a imprensa papa-chibé carinhosamente chamou de "Maratona" ou "Quinzena" Manoel Pedro. 

A suspensão por 13 partidas de Manoel Pedro da Silva, o Manoel Pedro, o "Carro dos Milagres", centro-médio bicolor, dono de 6 títulos estaduais (o penta de 1942 a 1947 e 1956) e que encerrou sua carreira em 1957, aos 42 anos de idade e 17 temporadas com a camisa alvi-azul, expulso diante da Tuna em uma goleada lusa de 5x1 sobre o Paysandu pelo campeonato de 1948, fez que o então lider do futebol bicolor, Cláudio José de Lima, protocolasse junto à Federação uma série de 13 amistosos, disputados entre 27.04.1948 a 12.05.1948, para que o craque pudesse estar à disposição nas partidas finais do certame. 

Na série, o Paysandu venceu 11 partidas e empatou 2, marcando 50 gols e sofrendo 22, com saldo positivo de 28 bolas. 

Se no final das contas, o esforço de Cláudio José não trouxe o título de 1948, que coroaria um hexa inédito, muito embora o ataque bicolor na temporada tenha marcado 130 gols em apenas 45 jogos, serviu para tornar Manoel Pedro o que ele sempre foi: 

Um milagre. 

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JOGOS DA “MARATONA MANOEL PEDRO”.

1º JOGO – Paysandu 5 x 3 Dramático (27 de Abril de 1948)
2º- JOGO- Paysandu 4 x 1 Auto Clube (28 de Abril de 1948)
3º JOGO- Paysandu 5 x 3 Dramático (30 de Abril de 1948)
4º JOGO- Paysandu 1 x 1 Auto Clube (1º de Maio de 1948)
5º JOGO- Paysandu 3 x 3 Paulista (2 de Maio de 1948)
6º JOGO- Paysandu 5 x 3 Dramático (4 de Maio de 1948)
7º JOGO- Paysandu 5 x 1 Auto Clube (5 de Maio de 1948)
8º JOGO- Paysandu 4 x 0 Bancrévea (6 de Maio de 1948)
9º JOGO- Paysandu 7 x 3 Dramático (8 de Maio de 1948)
10º JOGO- Paysandu 3 x 2 Auto Clube (9 de Maio de 1948)
11º JOGO- Paysandu 2 x 1 Dramático (10 de Maio de 1948)
12º JOGO- Paysandu 3 x 1 Paulista (11 de Maio de 1948)
13º JOGO- Paysandu 4 x 1 Recreativa (12 de Maio de 1948)


Fonte: Almanaque do Papão, páginas 78 a 80 - Ferreira da Costa. Papão, 90 anos de Paixão e Glórias, páginas 172 a 173 - Ferreira da Costa. Os Gigantes do Futebol Paraense - Ferreira da Costa. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Pau Preto: a versatilidade de chuteiras.

Se a versatilidade usasse chuteiras, certamente, o seu nome seria "Pau Preto", apelido de infância de Fernando Marvão de Moraes, ponta e médio que em sua carreira de 16 anos só vestiu uma camisa: a listrada da Travessa Curuzú, pela qual marcou época e encantou pela frieza e futebol sóbrio que lhe renderam 7 títulos estaduais.

Primeiro, em uma das maiores linhas médias da história do Paysandu (Pau Preto, Natividade e Caim), foi bicampeão estadual em 1956 e 1957, marcando um total de 3 gols nas duas campanhas, jogando como médio-volante.

Em 14 de abril de 1957, esteve no time bicolor que goleou o Cerro Porteño do Paraguai por 3x0, no Souza, com gols de Natividade, Luciano e Gilvandro.

Depois, em 1959, já sem Natividade, mas ainda ao lado de Caim na meiuca, foi campeão paraense de profissionais em 1959, título marcado pela cabeçada história de Toni que, no apagar das luzes, decidiu o certame para os bicolores.

     Pau Preto com a Faixa de Campeão Paraense de 1959 (Fonte: Paysandu 90 anos de História - Ferreira da Costa) 

Foi ainda tricampeão em 1961, 1962 e 1963 e campeão em 1965, em sua temporada de despedida, na qual também foi peça importante, agora jogando na linha de ataque, na goleada do Paysandu sobre o Peñarol de Spencer, Forlan e Mazurkiewicz, naquela tarde mística de 18 de julho de 1965. Pau Preto fez o gol que fechou o caixão dos Carboneros do Peñarol, dando números finais a uma vitória tão eterna quanto musical ("Ate o Peñarol veio aqui para padecer", já diria a Marchinha).

Descrição do gol marcado por Pau Preto na goleada bicolor sobre o Peñarol em Julho de 1965. (Fonte: Jornal O Liberal 19.07.1965) 


Manchete sobre o gol de Pau Preto diante do Peñarol (Fonte: Jornal O Liberal 19.07.1965)


Ao todo, Pau Preto, mesmo alternando entre as linhas de meio e ataque, marcou 58 gols com a camisa bicolor, 12 deles no clássico RExPA, sendo um dos 30 maiores artilheiros da história do bicolor paraense.

Pelo visto, além de versátil, o garoto que incorporou sua cor no apelido de infância, era também longevo e vencedor.

E dos grandes.  


Fontes: Papão, 90 anos de Paixão e Glórias -  Ferreira da Costa. Jornal O Liberal (19.07.1965) 

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Meu nome é Bené: o MAIOR ARTILHEIRO DO PAYSANDU!




Vitorioso ou, devo dizer, matador?

O simples fato de este paulista de Amparo ter marcado 249 gols, em oito temporadas - sagrando-se o maior goleador do Paysandu - já faz de Benedito Pinho Leme, o Bené, um nome absolutamente intocável na lista de maiores jogadores da história do Clube de Suíço.

Ao lado de Robilotta, formou a dupla de ataque mais letal do futebol regional , em uma mescla de habilidade e oportunismo puro. Bené, o Tanque da Curuzú, era um centroavante rompedor e uma máquina de moer zagueiros.

No comando de ataque bicolor, levantou cinco títulos estaduais (1966, 1967, 1969, 1971 e 1972), sagrando-se artilheiro em duas das cinco conquistas, anotando 13 gols em 1969 e 20 gols em 1971.

E por falar em 1971, foi de Bené o gol de empate bicolor na lendária final do vira-vira, que forçou a prorrogação e abriu caminho para que Moreira, em uma cabeçada monumental, mudasse de mãos a coroa de campeão (De Antônio Baena para a Curuzú). Em 1972, contribuiu com oito tentos na conquista do título, sendo o vice-artilheiro do Paysandu, atrás apenas de Moreira, seu parceiro de ataque, com 12 gols.

Foi dele também o gol que deu ao Paysandu a vitória pela contagem mínima (1x0) sobre a Romênia em 1968, que viria a disputar o Mundial de 1970 no México.

Em clássicos, e não poderia ser diferente, Bené foi protagonista, totalizando 26 gols na história dos RExPA's e o posto de quarto maior artilheiro da história do derby.

Se o nome Benedito significa mesmo "abençoado", ao Benedito da Curuzú acrescenta-se "lendário".

Como seus gols.



Fonte: Papão, 90 anos de Paixão e Glórias - Ferreira da Costa. Os Gigantes do Futebol Paraense - Ferreira da Costa. 



sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

O sobrenome dele é Campeão!

    

           

         

            

   

                     
De garoto de Icoaraci a volante multicampeão como juvenil, aspirante e revelação do campeonato paraense de profissinais na sua estréia, em 1964. 

Contra o Peñarol, em 1965, foi implacável com Pedro Rocha, o craque uruguaio, que sequer andou andou em campo, tamanha a imposição daquela que seria uma das camisas 4 mais vitoriosas que a Curuzú conheceu. 

Foi tri em 1965-1966-1967, ajudando os bicolores a reinarem soberanos, conquistando 7 dos 10 títulos daquela que seria a década mais vitoriosa do Bicolor no estadual, na qual apenas em 1960, 1964 e 1968 o Paysandu não terminou como campeão. 

Em 1969, foi novamente campeão, repetindo a dose, e evitando o bi do rival, até chegar no bicampeonato histórico de 1971 (do vira-vira) e de 1972 (do Sesquicentenário). 

Embora uma não se resuma a outra, saiba que a cabalística camisa 10 de Quarenta, o Atleta do Século XX e o maior campeão da história do Clube de Suíço, se entrelaça em uma relação de pura cumplicidade com a camisa 4 de Beto, a outra ponta de uma das maiores (para alguns a maior) duplas de médios que o Pará conheceu.

Se o nome Paysandu já pertence a um certo baiano de Coité (mas com o coração mais bicolor que existe), o sobrenome Campeão já tem dono.


Prazer! Carlos Alberto da Silva Cavalcante Campeão (o Beto). 


Foto 1: Beto no campo pelo Paysandu antes da partida contra o Peñarol em 1965, quando o time alvi-celeste aplicou 3x0. 

Foto 2: Beto e Dona Nelza, sua mãe, em jogo comemorativo pelo Dia das Mães de 1972. 

Foto 3: Sirotheau e Beto, destaques da campanha bicolor no título paraense de juvenis de 1963. 

Foto 4: Beto, aos 18 anos, envergando a faixa de Campeão Paraense de Juvenis de 1963. 

Foto 5: Beto e seus companheiros na foto dos times que tomaram parte na goleada bicolor de 3x0 sobre o Peñarol em 1965. 

Foto 6: Quarenta e Beto, uma das dupla de médios mais importantes da história do Paysandu. 

Foto 7: Beto na campanha do título do Campeonato Paraense de Profissionais de 1972. 

Fonte: Papão, 90 anos de Paixão e Glórias - Ferreira da Costa. Os Gigantes do Futebol Paraense - Ferreira da Costa. Arquivo Pessoal (Beto).



segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Eterno!



Paulo Benedito, mas poderia dizer também Bendito, dos Santos Braga. De garoto convidado de Carnaval a goleador solitário que tirou o Bicolor de 8 anos de fila.

Quando chegou a Curuzú para vestir azul e branco, o Paysandu tinha 16 títulos estaduais, 3 a menos que o rival. Mas quando parou, em 1973 em um jogo festivo contra a Tuna, o lado bicolor da Almirante já tinha 28 taças, 5 a mais que o azulino.

Na Taça Brasil, de 1959 a 1973, foi soberbo, levando o Paysandu a 7 participações, o maior número de um clube paraense na história.

E por falar em paraense, do calvário de Piedade em 1956 ao caneco histórico do Sesquicentenário de 1972, ele sozinho tem 12, um recorde, dos quais 10 foram conquistados sobre o rival.

Em 2000, como meia e craque da Seleção Paraense do Século XX, virou imortal. Em 2014, transformado em Estátua, foi monumental.

Na vida e na bola, seja como Paulo ou como lenda, jamais haverá um Quarenta como ele: eterno. 

Fonte: Papão, 90 anos de Paixão e Glórias - Ferreira da Costa. Os Gigantes do Futebol Paraense - Ferreira da Costa. REXPA, a Rivalidade Gloriosa - Expedido Leal.



quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Nilson Diabo: o artilheiro infernal




O Nilson que é Santos, mas que tambem já foi Diabo. Paraense de Altamira e revelação no Acará. 

No Amazonas, foi Série A em 1974 atuando pelo Rio Negro. Enquanto brilhava no calor manauara, foi implacável contra a camisa amarela canarinha.

Se na Tuna foi histórico e goleador, seja duplando com Leônidas, em um dos ataques mais letais da história do Souza - que quebrou um jejum de 12 anos sem títulos da cruzmaltina - ou chegando ao topo da artilharia paraense em 1980, de azul e branco foi campeão, e duas vezes.

Uma, de forma invicta, em 1976, evitando o tetra do rival e levantando o terceiro título bicolor na década. E na outra sendo tri em 1982, com Cabinho e companhia, passeando no estadual de número 32 do Paysandu.

Gols? Na Curuzú foram 55 de 1974 a 1982 e uma façanha: o vigésimo maior artilheiro da história do bicolor.

Se fora de campo era Santos, dentro dele era brabo e brigador, era infernal. 

Controverso? 

Certeza mesmo é que um inferno era tê-lo do lado oposto. 




Fonte: Fonte: Papão, 90 anos de Paixão e Glórias - Ferreira da Costa. Os Gigantes do Futebol Paraense - Ferreira da Costa. Parazão Centenário - Ferreira da Costa. Revista O Gol. 


sábado, 26 de fevereiro de 2022

UM GOL INUSITADO E A DECISÃO DO PARAENSE DE 1961



 
    

A discussão sobre a (falta de) qualidade dos gramados paraenses é atemporal e passeia pelo tempo. Imar Nunes, cátedra do jornalismo esportivo paraense, no Esporte em Revista de 16.04.1960, comentando  o empate sem gols no RExPA da decisão extra válida pelo certame de 1959, dissertou sobre os gramados regionais e da habilidade dos craques paraense em enfrentá-los: 

"O mau tempo, as fortes chuvas que vêm caindo sobre Belém há dois domingos consecutivos impediram de fazer um balanço exato das possibilidade técnicas dos quadros do Paissandu e Clube do Remo. Sou pelo ponto de vista de que o jogador bom adapta-se a qualquer terreno, mormente os formados em gramados regionais, castigados que são pelas chuvas durante quase todo o ano". 


Coluna escrita por Ilmar Nunes ao Esporte em Revista (16.04.1960)

O Tablóide Paraense, "O Estado do Pará" de 09 de abril de 1962, retratou Quarenta, maior ídolo bicolor, em matéria ilustrada sob uma foto icônica do craque com o uniforme enlameado bebendo água em um cantil, como "o mignon atacante que foi um herói no gramado lamacento do Souza". Quarenta correspondeu a homenagem conduzindo o bicolor paraense, debaixo de um verdadeiro “toró”, ao título estadual de 1961, mesmo tendo deixado o campo de jogo em decorrência de um golpe na costela aplicado pelo defensor azulino Ribeiro, que terminou expulso. 


Foto de Quarenta estampada no Estado do Pará de 09.04.1962

Expedito Leal, jornalista e escritor, em seu livro “RExPA, a rivalidade glorisosa”, retratou esse jogo, destacando as habilidades do maestro bicolor no gramado castigado:

“Lembro de uma decisão no antigo estádio do Souza, o “Francisco Vasques”, da Tuna, aí pelo início dos anos 1960. O Remo jogava pelo empate na partida final. Mesmo desfrutando dessa vantagem, o Paissandu foi quem abriu o placar. Que foi assim até o final do jogo, pelo estupendo desempenho de Quarenta, postado à frente de sua zaga, como se fosse um líbero. Chovia bastante, e o gramado estava quase sem condições de jogo. Aquele jogador minúsculo e habilidoso mostrava-se um gigante, impedindo os avanços remistas e saindo da grande área, jogando com a bola dominada com rara destreza no gramado encharcado”.

Nesta dita final, vencida pelo Paysandu por 1x0 com o rival jogando pelo empate, o título foi para a Curuzú graças a um gol solitário de Ércio, lendário ponta do Paysandu, chutando de longa distância um petardo que seria fatalmente tranquilo para a defesa do goleiro azulino Edgar, se não fosse uma saliência no gramado do Souza, um típico “motinho artilheiro”, que desviou a trajetória da bola. O destino foi cruel com Edgar, que foi para o jogo "na fogueira", pois era reserva de Arlindo, que não pôde atuar. O goleiro ainda agachou para fazer uma defesa que pareceria fácil, mas morreu no fundo das redes. 


Reportagem do Jornal Estado do Pará sobre a decisão de 1961. 

A mesma reportagem, escrita pelo Mestre Calá, que retratou Quarenta como o grande condutor do Paysandu a conquista de 1961, destacou, na 5ª chamada inaugural da matéria, o lance que pôs fim ao certame: "Edgard agachou-se cedo de mais no lance do goal". No decorrer da matéria, Mestre Calá descreve o lance:

 "Um gol apenas decidiu o título. E por simples ou mera coincidência comum do futebol embora na peleja tenha se registrado lances dignos de se transformarem em goals, o tento que decidiu a coroa máxima de 61, foi ocasionado em grande parte por um lance de sorte e azar. Sorte para o atacante Ércio ao atirar aos 7 minutos de fora da área, à meia altura, batendo a bola no gramado e traindo o arqueiro Edgard que estava pronto para a defesa". 

Intrometendo-me nas letras do Mestre Calá, o gol de Ércio foi mais do que uma obra do acaso. Foi, sobretudo, sorte. 

De campeão. 


Detalhes da Partida: 

 08.04.1962 - PAYSANDU 1 x 0 REMO - Estádio Francisco Vasques (Souza) - Árbitro: Eunápio de Queiroz (RJ) - Paysandu: Jorge; Olinto, Odir, Maurício (Élson), Edilson; Mangaba, Quarenta; Pau Preto, Luciano, Carlos Alberto "Urubú", ´Ércio. Treinador: Gentil Cardoso - Remo: Edgar; Ênio, Ribeiro; Isaías, Socó, Xavier; Jorge de Castro, Estanislau, Sessenta, Câmara (Nivaldo) . Treinador: Sávio Ferreira. Gols do Jogo: Ércio (1). 

Fontes: 

COSTA, Ferreira da. Parazão Centenário - A História do Campeonato Paraense de Futebol, 2012. Página 131. 

LEAL, Expedito. RexPA: A rivalidade gloriosa, 2013, Página 99. 

COSTA, Ferreira da. Gigantes do Futebol Paraense, Vol.1, 2014, Página 132. 

Mestre Calá. Craques na Balança: Quarentinha: O Davi-Golias do Clássico (Reportagem). Jornal "O Estado do Pará", 09 de Abril de 1962. 

Imar Nunes. Esporte em Revista, 16 de abril de 1960.