quinta-feira, 19 de novembro de 2020

O nome dele é Paysandu.



          Já tratamos outras vezes, em outros lugares, tempos e espaços, do presidente que, em 2013, levou o clube ao topo do futebol paraense, tornando-se assim o segundo personagem da história do futebol bicolor a ser campeão como atleta e como presidente, igualando o feito de Mimi Sodré, campeão em 1920, alternando as funções de atleta com a de presidente do clube, naquele que seria o primeiro título paraense de outros 47 que viriam a seguir. Falamos do presidente que, em 2014, no ano do centenário, devolveu o Paysandu à Serie B, em uma batalha épica em Juiz de Fora. 

Neste Baú voltamos a tratar, como também já fizemos, e sem desprezar as contribuições extra-campo dessa figura tão singular da história bicolor, do atleta, do artilheiro e do multi campeão, dono de gols tão decisivos quanto quantitativos. Daquele que, exatamente uma década depois de Cacaio, foi imprescindível para que o Paysandu conquistasse o Brasil.

Paysandu 4 x 0 Avaí - Final do Brasileiro de 2001


Paysandu 4 x 3 Cruzeiro - Final da Copa dos Campeões

Inevitável não lembrar da sua presença de área, do seu faro de gol e da sua letalidade, atributos de um típico matador, um dos mais inesquecíveis que a Travessa Curuzú já viu. Mas mais inevitável ainda é não tratar de uma característica que ajudou a construir a imagem de um ídolo, ousa-se dizer, unanimemente incluído entre as cinco maiores divindades que o Olimpo Bicolor de Ídolos recebeu: a predestinação. Predestinação de quem saiu de contestado e terminou uma lenda. Se Bené - do alto de seus 249 gols e cinco estaduais - pode ser considerado o deus bicolor do gol, Vandick é, sem dúvida, o mais próximo do que se poderia considerar como um divindade das decisões. 

Como na narrativa de Quarenta - que chegou a um Paysandu dono de apenas 16 títulos estaduais (3 a menos que o rival) e um longo jejum de oito anos sem conquistar o maior cetro do futebol local, e se aposentou (em 1973) com o clube somando 28 títulos estaduais e uma vantagem de seis canecos sobre o rival -  a de Vandick, em igual medida, nos mudou de patamar.

Parafraseando a mim mesmo, quando o recebemos no Giro Bicolor da Rádio Lobo: ele nos fez chorar muito de alegria e os nossos rivais de raiva. Ele foi campeão, fazendo história dentro e fora de campo. Pelos pés dele, o Paysandu conheceu a América e a América o Paysandu. Ele é baiano de Coité e paraense da Curuzú. O nome dele? 

O nome dele é PAYSANDU.  


Giro Bicolor: https://www.youtube.com/watch?v=ro8oYJJmmxw&t=2248s

A Voz do Leitor - Camisa Alvi-Azul: http://camisaalviazul.com.br/wp-content/uploads/2018/11/033-Voz-do-Leitor_-A-Redenção-Vincenzo.pdf

Paysandu 100 anos de Payxão: https://www.youtube.com/watch?v=zEwFV7DtfcU&t=1305s



quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Zé Augusto, o matador de Tartaruga e o gol da redenção.

    Como quem escreve somos nós, mas quem manda são vocês, fizemos (respondendo a pesquisa que fizemos com os nossos leitores) - depois de a postagem anterior tratar de um dos gols de classificação mais inusitados e históricos do futebol, marcado por Luizinho no Brasileiro de 1974, e que rendeu ao Papão o posto de primeiro clube paraense a ser classificar para a 2ª Fase do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão - trazemos hoje o gol mais citado por três entre cinco leitores consultados: a clássica escorada de Zé Augusto contra o Ananindeua, no final do jogo, que deu ao Paysandu uma vaga na semifinal do returno do Estadual de 2008 e na Série C de 2008. 

    Para vocês relembrarem esse episódio, trazemos o vídeo dos melhores momentos, narrados sob a voz e genialidade lendária de Édson Matoso: 



Paysandu x Ananindeua (Melhores Momentos - SBT Esporte)



(Foto: Marcelo Seabra/ O Liberal).



     O Paysandu jogava pelo empate, mas entrou nervoso e disperso em campo. Perdida, a marcação bicolor não conseguiu parar Joãozinho que, depois de uma falha de Paulo de Tácio, abriu o placar para a Tartaruga logo no início da primeira etapa. Depois de outra bobeada de Altair, Joãozinho, de novo ele, aumentou para o Ananindeua e agravou o martírio bicolor que, naquele momento, experimentaria o maior vexame da sua história: ficar sem disputar nenhuma divisão nacional. 

    Na segunda etapa, mesmo pecando na técnica, o Paysandu voltou mais impetuoso, graças a entrada de Rafael Oliveira que, substituindo Luis Mário, deu uma mobilidade maior as jogadas de ataque, juntamente com Fabrício, àquela altura responsável pelas principais jogadas de ataque do bicolor paraense. 

    Em uma jogada pela faixa direita do ataque, Fabrício cruza espetacularmente para Samuel Lopes, aos 41 minutos e 15 segundos do segundo tempo, diminuir, de cabeça. Mas o resultado ainda classificava a Tartaruga, pois o Paysandu teria menos de cinco minutos e mais acréscimos para empatar a partida e se beneficiar da vantagem.  

    Depois de uma oportunidade clara de gol evitada, primeiro, pela defesa de Ângelo e, depois, pelo corte da zaga do Ananindeua, o Paysandu tinha, já aos 45 minutos, uma bola lançada na área em escanteio que, por essas ironia do destino, foi mal afastada pela defesa e encontrou Zé Augusto que, decisivo, escorou para as redes de Ângelo, definindo a vaga. 

    Se o gol de Luizinho foi histórico pela forma como ele foi validado, esse gol de empate marcado por Zé representou o agigantamento de uma história que não merecia o destino trágico que o jogo tentava impor. 

    Zé Augusto, ali, não só dava uma sobrevida a temporada bicolor (que se desenhava catastrófica), como fez dele - além do grande campeão que é, dono de dez títulos e do posto de terceiro maior campeão da história do Paysandu, atrás apenas de Quarentinha e Quarenta Lebrego, com doze e onze títulos respectivamente - o primeiro da atleta da história a ter os pés beijados por um presidente. 

    Dos 90 gols marcados por Zé Augusto entre 2000 e 2012, quando parou, que o coloca como o maior artilheiro bicolor deste Século, talvez nenhum seja lembrado com tanto carinho como esse. Para quem escreve estas linhas, particularmente, aquele gol foi o melhor dos exames cardíacos. Desmarquei o meu cardiologista no dia posterior a partida. 

    E ai, leitor? Quais foram as suas lembranças dessa classificação épica? 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

VALIDADO NA RECEPÇÃO

    

Paysandu e Sampaio se enfrentando  pela partida válida 
pelo Campeonato Brasileiro de 1974 (Província do Pará) 


Reportagem de 13.06.1974 do Jornal A Província do Pará 
sobre o inusitado jogo




                                               

Fiel Bicolor de vigília em frente ao Grande Hotel, em Belém. (Província do Pará)




        Súmula/Relato da partida descrito no Almanaque do Papão, do jornalista Ferreira da Costa.  (p.187). 



    Se você já viajou e precisou ficar hospedado em um hotel, com certeza se deparou com a situação de ter de validar um voucher ou um bilhete de reserva. Isso é muito comum.

    Mas acreditarias se te falarem que uma partida de Série A de Campeonato Brasileiro foi decidida em um balcão de hotel, com um gol sumulado minutos antes do árbitro viajar para a sua terra natal? E que esse gol único foi responsável por consolidar a classificação de um gigante paraense para a 2º fase do Campeonato Brasileiro da Primeira de Divisão de 1974? Difícil de imaginar, não?

     Isso, de fato, aconteceu na partida arbitrada, em Belém, pelo amazonense Júlio Cesar Consenza. O Paysandu vinha tendo extraordinária dificuldade com a hedionda marcação do Sampaio Corrêa, quando Luizinho, ao apagar das luzes, marcou um gol salvador que abriu a contagem para os bicolores, encaminhando a classificação. Mas Consenza, mesmo tendo o auxiliar Jaime Batista Monteiro assinalado o gol, tinha dúvida se a bola havia efetivamente entrado na meta sampaína, encerrando a partida sem que se soubesse o resultado final, e entregando a súmula em branco, ainda dentro de campo, ao então Presidente da FPF.

    A dúvida persistiu por longas nove horas, tendo a Fiel Bicolor, inclusive, feito uma vigília na porta do Hotel São Geraldo, em Belém, esperando a validação do tento, que veio, minutos antes de Consenza partir com destino a Manaus. A Fiel comemorou com alvoroço uma classificação pra lá de inusitada. A decisão tardia de validação do gol por parte de Consenza deveu-se a astúcia de Júlio Bendaham, dirigente bicolor, que, se valendo da sua amizade com o dono do hotel, foi até o árbitro para convencê-lo de seguir a orientação do auxiliar e validar o gol bicolor. Jogada de mestre. 

    O Paysandu cairia na fase seguinte, terminando a sua participação na Primeira Divisão de 1974 na 22ª colocação entre 40 clubes e a primeira fase em décimo lugar no seu grupo (A) entre 20 clubes. Os números da campanha foram: 24 jogos, com 6 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. Moreira foi o artilheiro do Paysandu na competição com 5 gol e Luizinho terminou o certame com dois gols.

    Entre gols listrados que decidiram canecos e arrancaram vitórias memoráveis, esse tento de Luizinho, certamente, tem um lugar especial nas pautas de resenha entre os mais antigos da Travessa Curuzú. 

    E aí? Te convenci que nada é impossível na história do Paysandu?

Paysandu: Omar; Silva, Nilo, Nilson Andrade e Augusto; Roberto Bacuri, Prado, Jair e Adilson (Tuíca); Luizinho e Moreira. Técnico: João Avelino.

Sampaio Corrêa: Orlando; Arizinho, Vágner Benazzi, Raimundo e Santos; Lourival, Djalma Campos, Ailton e Nandes; Jorge Cocota e Adelino (Sérgio Lopes). Técnico: Alfredo González. 

Fonte de Pesquisa: Almanaque do Papão, Ferreira da Costa e Jornal A Província do Pará de 13 de junho de 1974. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Prazer, meu nome é Baú Bicolor!



Como um presente a todos, em comemoração a estreia deste blog, trazemos uma reedição de um texto publicado por nós no Futebol do Norte, contando a história de um confronto entre craques bicolores do passado e o elenco de 2015. Esse texto foi uma releitura de outro, publicado no Blog do Juca, e escrito pelo jornalista Roberto Vieira, descrevendo uma partida imaginária entre o Palmeiras campeão brasileiro de 1972 e o Verdão campeão de 2016. 

Aproveitando que este blog estreia no mês da Consciência Negra, data que se confunde com a história do Paysandu, o clube do povo paraense, lançamos o seguinte desafio: consegue dizer quanto terminou essa partida e quem fez os gols? 

Vamos interagindo nos comentários. Boa leitura a todos. 


Nesta tarde pós-toró, no lendário gramado da Travessa Curuzú, os times perfilam, o hino toca e todos se cumprimentam como de costume.

Caim vai até o círculo central, onde Micael já o espera com uma flâmula nas mãos. Com um aperto de mão, selam o respeito e depois tiram a foto de praxe entre os capitães. Um escolhe cara, o outro coroa. Deu cara.

Enquanto Oliveira e Colaço ainda trocavam uma ideia, Eliélton e Juninho tocam na bola, colocando-a em jogo.

Lá pelas tantas, a bola chega mansinha nos pés de Jorge Correa que, imediatamente, aciona Mariano na outra ponta da grande área. O pretinho recebe e, com um toque, limpa a marcação de Uchôa, avançado, esticando para Pau Preto driblar PH e encontrar Meia Noite pela ponta. Peralta e serelepe, ele cruza para Norman fuzilar um cacetão contra o gol de Paulo Ricardo.

Depois da saída, a bola espirra no ataque para Nícolas que, achando ver um certo goleiro na meta adversária, finaliza. Mas Benício abafa e, em seguida, desamarrota a faixa de Campeão de 1967.

A bola sai em lateral, cobrado por Oliveira que, como mágica, encontra Quarenta livre. O velho craque corre até a risca central, onde para a redonda e, com uma cavadinha, encontra Bené, que passava pela dura marcação de Perema, rememorando a Romênia de 1968.

Já, próximo ao final, Juninho dribla dois, mas para em Beto que, coberto por Mariano, amortece a bola e sai jogando.

Rogerinho recebe no desafogo e, como gênio, lança em profundidade para Caim. A bola chega na área e Micael pula para cortar. Mas, no meio do caminho, ela – como num RExPA - toca na cabeça dourada de Hélio.

Nos acréscimos, próximo ao muro, uma falta é cobrada em diagonal para Cacaio encontrar Moreira. Gol do vira-vira.

O jogo acaba.

Alex Maranhão, Wellington Reis e Uiliam trocam camisas como Aldo, Lineu e Vélber, que conversavam sobre os títulos de 81, 76 e a Libertadores. Tony acelera o passo para entregar a sua a Mendonça que o conta como fez o gol que nem o Rei conseguiu. 

Na beira do campo, Gentil Cardoso e João Brigatti tiram um selfie. Nos camarotes, Ricardo e Nabor se abraçam, selando a reverência. Do clube do presente com a sua memória.

Memória Negra.