segunda-feira, 9 de novembro de 2020

VALIDADO NA RECEPÇÃO

    

Paysandu e Sampaio se enfrentando  pela partida válida 
pelo Campeonato Brasileiro de 1974 (Província do Pará) 


Reportagem de 13.06.1974 do Jornal A Província do Pará 
sobre o inusitado jogo




                                               

Fiel Bicolor de vigília em frente ao Grande Hotel, em Belém. (Província do Pará)




        Súmula/Relato da partida descrito no Almanaque do Papão, do jornalista Ferreira da Costa.  (p.187). 



    Se você já viajou e precisou ficar hospedado em um hotel, com certeza se deparou com a situação de ter de validar um voucher ou um bilhete de reserva. Isso é muito comum.

    Mas acreditarias se te falarem que uma partida de Série A de Campeonato Brasileiro foi decidida em um balcão de hotel, com um gol sumulado minutos antes do árbitro viajar para a sua terra natal? E que esse gol único foi responsável por consolidar a classificação de um gigante paraense para a 2º fase do Campeonato Brasileiro da Primeira de Divisão de 1974? Difícil de imaginar, não?

     Isso, de fato, aconteceu na partida arbitrada, em Belém, pelo amazonense Júlio Cesar Consenza. O Paysandu vinha tendo extraordinária dificuldade com a hedionda marcação do Sampaio Corrêa, quando Luizinho, ao apagar das luzes, marcou um gol salvador que abriu a contagem para os bicolores, encaminhando a classificação. Mas Consenza, mesmo tendo o auxiliar Jaime Batista Monteiro assinalado o gol, tinha dúvida se a bola havia efetivamente entrado na meta sampaína, encerrando a partida sem que se soubesse o resultado final, e entregando a súmula em branco, ainda dentro de campo, ao então Presidente da FPF.

    A dúvida persistiu por longas nove horas, tendo a Fiel Bicolor, inclusive, feito uma vigília na porta do Hotel São Geraldo, em Belém, esperando a validação do tento, que veio, minutos antes de Consenza partir com destino a Manaus. A Fiel comemorou com alvoroço uma classificação pra lá de inusitada. A decisão tardia de validação do gol por parte de Consenza deveu-se a astúcia de Júlio Bendaham, dirigente bicolor, que, se valendo da sua amizade com o dono do hotel, foi até o árbitro para convencê-lo de seguir a orientação do auxiliar e validar o gol bicolor. Jogada de mestre. 

    O Paysandu cairia na fase seguinte, terminando a sua participação na Primeira Divisão de 1974 na 22ª colocação entre 40 clubes e a primeira fase em décimo lugar no seu grupo (A) entre 20 clubes. Os números da campanha foram: 24 jogos, com 6 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. Moreira foi o artilheiro do Paysandu na competição com 5 gol e Luizinho terminou o certame com dois gols.

    Entre gols listrados que decidiram canecos e arrancaram vitórias memoráveis, esse tento de Luizinho, certamente, tem um lugar especial nas pautas de resenha entre os mais antigos da Travessa Curuzú. 

    E aí? Te convenci que nada é impossível na história do Paysandu?

Paysandu: Omar; Silva, Nilo, Nilson Andrade e Augusto; Roberto Bacuri, Prado, Jair e Adilson (Tuíca); Luizinho e Moreira. Técnico: João Avelino.

Sampaio Corrêa: Orlando; Arizinho, Vágner Benazzi, Raimundo e Santos; Lourival, Djalma Campos, Ailton e Nandes; Jorge Cocota e Adelino (Sérgio Lopes). Técnico: Alfredo González. 

Fonte de Pesquisa: Almanaque do Papão, Ferreira da Costa e Jornal A Província do Pará de 13 de junho de 1974. 

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